

Este é o Magdeme de Camarões. Eu tirei esta foto num veículo em movimento numa vila ao redor de Magdeme na região do extremo norte dos Camarões. Esta vila compartilha uma fronteira comum com a Nigéria e tem sido notícia há alguns anos por causa dos incessantes ataques do Boko Haram. Eu estava a viajar de Marowa (Camarões) para N’Djamena (Chade) e tivemos que viajar nesta rota. Por mais que eu estivesse alarmado com a insegurança dessa rota, eu estava preparado para capturar qualquer evento incomum com a minha câmera que pudesse acontecer nesta rota.
Eu tive um sentimento muito grande de medo, caso os extremistas do Boko Haram decidissem vir à tona naquele dia e também da sofisticação do armamento da equipe de patrulha da ONU na rota, que era enorme. Eu queria tirar uma foto dos soldados da ONU com a minha câmara, mas lembrei do comportamento brutal que alguns deles tinham. Eu nunca quis ser vítima da brutalidade dos soldados numa terra estrangeira, porque se porventura vissem-me seria complicado para mim e também para os outros.
Tendo estes pensamentos, este jovem na foto veio a correr e a fazer o mesmo gesto que um jovem que havíamos deixado atrás fazia para nós, no entanto um dos meus companheiros no transporte que estávamos, interpretou o sinal como se ele quisesse água, quando eu digo água, não estou a me referir da variante do inglês liberiano que dizem’’ coloqua’’ onde que pedir por água gelada significa pedir por dinheiro ou gorjeta, que não era o caso, mas estou a falar de beber água aqui, pois quando disseram-me que o menino queria água, eu rapidamente joguei a garrafa de água que queria manter comigo para a viagem pela janela do veículo para que ele pudesse pegá-la. Não vais imaginar a alegria no rosto do rapaz quando ele a pegou, pelo menos eu olhei para trás para vê-lo.
Infelizmente, eu já não dispunha mais de garrafas de água para lançar para este outro rapaz, estava cheio de emoções e pasmos, me perguntando porquê que as pessoas imploram para beber água, por isso, resolvi comprometer-me em ajudar os rapazes daquele lugar encorajando todos aqueles que tem viajado e que possivelmente passarão por aquela rota para que viajassem com garrafas de água a mais para ajudá-los, porque provavelmente eles poderiam compartilhar estas garrafas de água com os outros que também necessitam do mesmo. Por mais que esta partilha de água na estrada pareça boa, não irá satisfazer as necessidades de milhões de pessoas que necessitam urgentemente de água potável nestas regiões, mas pelo menos reduzirá o risco de beberem água suja.
Lembro-me também de ter conhecido um trabalhador humanitário queniano baseado em N’Djamena, para alem do relato acima experienciado por me, ele informou-me do mesmo problema de falta de água potável em algumas regiões do Chade.
Antes deste incidente, nunca levei a sério algumas publicações que falavam sobre o fornecimento de água potável do governo para os seus cidadãos. Eu sempre descartei isso como uma mera tentativa de alguns políticos de saquear o tesouro do governo, mas esse incidente fez-me ver as coisas de maneira ampliada e diferente. Fornecer água potável para o nosso mundo e os seus cidadãos é uma causa que todos nós devemos participar, portanto enquanto eu estava chafurdando nesses pensamentos, o veículo em que eu estava tentou manobrar perto dum buraco na nossa frente naquela estrada e resultou num tremor que me lembrou que eu tinha algumas moedas no bolso. O menino na foto poderia comprar um pouco de água com estas moedas.
Very shocking and sad reality. Boko Haram becoming lord in a UN beefed up area of No Water.
A lot needs to be done. We’re not blessed to enrich ourselves with it but to be a subsidiary of help.
Well said my brother. People elsewhere are going through a lot. The least we can do is to pray for them and demand for good governance. All will be OK someday.